Kadafi

A morte de Kadafi encerra mais um capítulo de destruição. Ao contrário do que propaga a mídia pró-discurso ocidental, não se trata meramente da eliminação de um ditador sanguinário. Há mais coisas nesse cenário apresentado, onde a OTAN, os EUA e os ditos rebeldes líbios aparecem como mocinhos lutando contra o ditador. Não é bem assim.

Que Kadafi era um ditador ninguém pode negar. Estava no poder há 42 anos. Mas, no contexto do Oriente Médio e do Norte da África, a Líbia era um país cujo povo tinha razoável padrão de vida, até onde se sabe, com educação gratuita, saúde pública, etc.

Claro que isso não justifica qualquer forma de ditadura. Mas, contrapor aquele sistema com a destruição do país pela OTAN não me parece a melhor solução. Ali não ocorreu propriamente a derrubada de um ditador pela maioria da população – o que seria legítimo – , mas sim, o massacre do povo líbio, cuja maioria das tribos apoiavam o governo de Kadafi – mesmo que em constante conflitos. A queda do sistema foi obra de um poder militar externo, a serviço de interesses econômicos de grupos de rapina.

O país foi bombardeado pela OTAN dia e noite, que eliminou centenas de civis, destruiu fontes de sobrevivência, arruinou a economia, e pagou grupos de mercenários para completar o massacre sobre as forças leais ao ditador Kadafi. Portanto, não considero que se trate de uma libertação do povo líbio, mas da partilha das riquezas, especialmente do petróleo, entre os países ricos, que deixarão no poder um novo grupo de aliados.

O próprio regime de Kadafi negociava com o Ocidente, assim como fez Sadam Hussein, ex-ditador do Iraque. Quando não interessou mais aos grupos econômicos e sua estrutura militar, hegemonizada pelos EUA, manterem estes personagens, eles foram eliminados. Em poucos anos assistimos ao massacre e à destruição de países como o Afeganistão, o Iraque e agora a Líbia, tudo em nome de uma suposta liberdade e democracia ocidental, voltada quase que exclusivamente para servir aos interesses dos de cima.

A humanidade terá de fato que pensar alternativas de convivência que combinem formas realmente democráticas de controle, pelos de baixo, sobre as coisas públicas, com justiça social.

http://blogdoeulerconrado.blogspot.com/

2 thoughts on “Kadafi

  1. Concordo plenamente… é uma pena que não existam veiculos de peso na imprensa que mostrem “o outro lado dos fatos”, acabamos ficando com a verdade dos poderosos, e falar algo diferente que o propagado pela mídia é quase ser paranóico.

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